sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Almas Mortas

São percevejos, são crostas, são lesmas que se arrastam. É um são que somos, um somos que, por vezes, não o é. São Tchitchicov’s( alusão à personagem principal de “Almas Mortas”, de Nikilai Gógol), são o raio que os parta, são tudo, são nada, ou seja, um tudo de nada. Morrer? Nunca. Viver? Só com esse fundo, longe dessas almas mortas, longe do escrutínio, tapado pela ilusão que é a vida. Só assim, só assim me comprometo a viver. São palavras, são desabafos…são receios de alguém que vive escondido nas margens e dor de não se integrar no interesse e no altar da sociedade. Mas, no fundo, quem não as tem? Todos vivem nessa corda, todos querem fugir dela, mas todos sabem que o melhor é estar amarrado a ela; lucros e distinções se folgam desse apertar que chega a rasgar aquilo que é o mais humano, ou perto disso, ou mais longe disso, isso é o querer fugir à natureza humana, natureza que só posso querer negá – la e achá – la repugnante. Tão escabrosa como a fundamentação ariana.
São percevejos, são crostas…são lesmas que se querem arrastar. O meu pessimismo ultrapassa Jonathan Litrell, range com os dentes e reza um Te Deum. Rasga os céus e sopra os cantos mais fúnebres e sebentos, canta o luar a Zeus e seduz Vénus com um olhar crispante e cintilante de jóias que nascem nos mais procurados lugares. E nesse mesmo momento, nesse mesmo encontro, ouve – se um som, tetatetatttttetatanananananannntetatatnanante, Fur Elise que se envolve naquilo que dizemos ser o som. Som que faz renascer a minha alma morta, morta pela sociedade e semi – enterrada por quem se mostra generoso. Som maravilhoso, empedernido, enternecedor, aconchegado, fugaz, fúnebre, lento e rápido, contagiante.

O som acaba, o mundo desmorona, Dostoiéski tosse na campa com o pesar da sociedade, Nietzsche afirma acreditar ver Deus, Leibniz diz ser ateu, Voltaire torna – se um cândido e goza dos sapientes, Shopenhauer diz ser gay, Franz Kafka torna – se político, etc,etc, etc. O mundo vira – se e fica de pernas para o ar. Porquê? Porque o som terminou, agora não há bem que torne esta sociedade lógica e consciente. Agora sim, agora temos uma natureza humana. 

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