segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Espírito dionisíaco
quer engolir-me,
arrastar-me.
Vomito-o no chão
nas paredes
e no tecto.
Todo ele,
que me quer uma só vez 
exclusiva,
instintiva, 
sensível,
vulnerável...
Para as suas fantasias!
(Bastardo doente!)
Para me induzir nessas longínquas viagens
que me sugerem comprimidos
ou líquido dos deuses...

Declaro a minha retirada
do campo de batalha.
Quero hoje Dionísios cavalgando-me
profundamente na minha vagina.
Uma vez só
quero esquecer tudo o que de humano existe.
Tudo o concebido
e ser religiosamente amoral!
Desviar-me
por espaços obtusos
onde não há tempo
nem sequer espaço.
Quero abandonar-me
e ver-me resistir em sofrimento.
Não cesses de me violar!
Hoje não quero saber. 

Eis-me aberta para acolher o atroz
desde que seja vida.


Sofia Carvalhinha

Sem comentários:

Enviar um comentário