domingo, 29 de setembro de 2013

O Silêncio

O silêncio do silêncio no ar incomoda tanto…é um barulho que não se ouve, mas dói tanto. Grita! Grita! Grita! Não consegues gritar? O silêncio abafa o teu próprio grito? Grita mais alto que o silêncio, há – de se impor a tua força, o teu grito furioso, a tua alma que caí como uma nódoa que não saí. Mas continua a gritar, levanta – te, grita, explode, ouve, fala, destrói, volta a construir, destrói, pisa, salta, corre e, sobretudo, respeita o teu grito. Silêncio dos culpados, que desapareça antes que se faça inocente e comece a chorar do seu próprio abafo. Ouve! Estás a ouvir? É a conformação a beijar o silêncio, ouve – se o copular e vê – se o romper da nossa liberdade. Não consigo ouvir, não consigo ouvir. O silêncio censura – me, ai que a minha honra não me deixa superiorizá – lo. Deixa – me, deixa – me! Ó silêncio, que vales tu? Valo a tua honra e a tua dignidade. Com razão respondes silêncio. Mas eu quero gritar, gritar e chorar, quero relembrar tudo e valorizar a voz do meu coração! Ó silêncio, por favor, deixa – me ser melhor que tu, visto que, és o melhor dos ingratos e dos egoístas da mente. Ó silêncio, não fiques em silêncio comigo! Quanta dor provocas, acentuas a minha ansiedade que derruba o meu sono e faz trazer tudo à lembrança. Não! Não! Prevalecerá a minha angústia, os seres humanos reprovarão a minha fraqueza, condenarão a minha inexperiência e perspicácia, contudo dar – lhes – ei o meu silêncio que é o teu silêncio. E agora já derrubas o silêncio, ó silêncio? Permanece estático, não silencieis mais…acaba comigo de uma vez por todas. Não me amas? Claro, que amo. Não é isso! Então? Gostas de outro? Talvez. Ai quanto esse talvez é silencioso numa só palavra, cala – te, ó silêncio! Quando procuras me responder, fazes pior…quão ingrato, quão minucioso és! Preparas – me para o precipício e empurras – me.

                Eu abro a janela e consigo ouvir a natureza, é aí que o maldito e impuro, cruel, desleal e traidor silêncio desaparece da minha mente. Mas sei que ele vai me atacar quando dormir de novo. Contudo, eu vou gritar e conjugarei toda a minha dor num frasco de ar que há – de arrebentar…há – de arrebentar como uma nota agressiva que se esconde por de trás de uma calma na Sinfonia de Beethoven. Enquanto isso, vou esperar por alguém que me calque ainda mais e peça desculpa pelo seu silêncio. Desaparecei, ó infortúnios! Não preciso da vossa pena nem do vosso reconhecimento. Cada momento que respiro, procuro respirar menos, talvez consiga sentir mais aquilo que não quero sentir de verdade. Talvez! Gostas de outro, ó silêncio? Talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, tenho a certeza, tenho a certeza, tenho a certeza. Sei que vou morrer no sono, todavia vou continuar a gritar, pois sei que ninguém me vai ouvir, mas no fundo, é um grito silencioso que mata o meu próprio silêncio.    

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