O silêncio do silêncio no ar incomoda tanto…é um barulho que
não se ouve, mas dói tanto. Grita! Grita! Grita! Não consegues gritar? O
silêncio abafa o teu próprio grito? Grita mais alto que o silêncio, há – de se
impor a tua força, o teu grito furioso, a tua alma que caí como uma nódoa que
não saí. Mas continua a gritar, levanta – te, grita, explode, ouve, fala,
destrói, volta a construir, destrói, pisa, salta, corre e, sobretudo, respeita
o teu grito. Silêncio dos culpados, que desapareça antes que se faça inocente e
comece a chorar do seu próprio abafo. Ouve! Estás a ouvir? É a conformação a
beijar o silêncio, ouve – se o copular e vê – se o romper da nossa liberdade.
Não consigo ouvir, não consigo ouvir. O silêncio censura – me, ai que a minha
honra não me deixa superiorizá – lo. Deixa – me, deixa – me! Ó silêncio, que
vales tu? Valo a tua honra e a tua dignidade. Com razão respondes silêncio. Mas
eu quero gritar, gritar e chorar, quero relembrar tudo e valorizar a voz do meu
coração! Ó silêncio, por favor, deixa – me ser melhor que tu, visto que, és o
melhor dos ingratos e dos egoístas da mente. Ó silêncio, não fiques em silêncio
comigo! Quanta dor provocas, acentuas a minha ansiedade que derruba o meu sono
e faz trazer tudo à lembrança. Não! Não! Prevalecerá a minha angústia, os seres
humanos reprovarão a minha fraqueza, condenarão a minha inexperiência e
perspicácia, contudo dar – lhes – ei o meu silêncio que é o teu silêncio. E
agora já derrubas o silêncio, ó silêncio? Permanece estático, não silencieis
mais…acaba comigo de uma vez por todas. Não me amas? Claro, que amo. Não é
isso! Então? Gostas de outro? Talvez. Ai quanto esse talvez é silencioso numa
só palavra, cala – te, ó silêncio! Quando procuras me responder, fazes
pior…quão ingrato, quão minucioso és! Preparas – me para o precipício e
empurras – me.
Eu abro
a janela e consigo ouvir a natureza, é aí que o maldito e impuro, cruel,
desleal e traidor silêncio desaparece da minha mente. Mas sei que ele vai me
atacar quando dormir de novo. Contudo, eu vou gritar e conjugarei toda a minha
dor num frasco de ar que há – de arrebentar…há – de arrebentar como uma nota
agressiva que se esconde por de trás de uma calma na Sinfonia de Beethoven.
Enquanto isso, vou esperar por alguém que me calque ainda mais e peça desculpa
pelo seu silêncio. Desaparecei, ó infortúnios! Não preciso da vossa pena nem do
vosso reconhecimento. Cada momento que respiro, procuro respirar menos, talvez
consiga sentir mais aquilo que não quero sentir de verdade. Talvez! Gostas de
outro, ó silêncio? Talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez,
talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, talvez, sim, sim, sim, sim, sim, sim,
sim, sim, sim, tenho a certeza, tenho a certeza, tenho a certeza. Sei que vou
morrer no sono, todavia vou continuar a gritar, pois sei que ninguém me vai
ouvir, mas no fundo, é um grito silencioso que mata o meu próprio silêncio.
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